viernes, 30 de septiembre de 2016

1983 - HAROLDO GEORGE GEPP


1983, UNS por Haroldo George Gepp



Inauguração do painel de caricaturas de músicos brasileiros por Haroldo Gepp.
Fonte: Facebook






... a Santa Ceia em  detalhes







jueves, 29 de septiembre de 2016

1973 - CLEMENTINA DE JESUS


Álbum "Marinheiro só", 1973
Albino "Pé Grande" [Albino Correa da Silva - marido de Clementina]




Clementina de Jesús [7/2/1901 - 19/7/1987]













Nascida numa região povoada por negros bantos, á epoca da escravidão colonial, Clementina de Jesus era filha de uma negra liberta sobre a lei do ventre livre, seu pai era pedreiro e violeiro. Nasceu na cidade de Valença – Marquês de Valença – estado do rio de Janeiro. Sua data de nascimento ninguém soube ao certo, em seus documentos – batismo, casamento e maternidade – haviam diferentes datas que variavam de 1900 a 1907, portanto ela nasceu em cerca de 14 anos depois da abolição.

Como ela mesma dizia, sua avó era “Mina da África”, denominação dada as negras escravizadas oriundas de São Jorge de Mina, na Costa Africana. Sua referência musical vinha desta origem. Sua mãe lavava roupas entoando cânticos católicos, bem como cantigas aprendidas com seus pais, o jongo e o caxambu.

Por volta de seus oito anos, veio com a mãe e o pai, para o Rio de Janeiro, como ela mesmo dizia: ” Meu pai vendeu tudo. Vendeu até galinha a 200 réis cada uma, meia dúzia de ovos por um tostão, e o dinheiro que juntou embarcamos para cá, onde estava meu tio, na rua Barão, 54 “.

Passou, então, a viver em Jacarepaguá, onde teve sua primeira experiência musical, como pastora nos folguedos de natal de origem portuguesa, organizados pelo senhor João Cartolinha, Mestre Pastoril e festeiro da região, de quem ganhou o apelido de Quelé. 

Cantou também no coro do orfanato Santo Antônio, onde estudava como semi – interna.
Com a morte do pai, mudou-se com sua mãe para a casa de um outro tio na Boca do Mato. Ainda amiga de João Cartolinha, Clementina fora convidada a visitar um clube chamado Moreninha de Campinas, próximo à Oswaldo Cruz, reduto do samba carioca.

Num território de samba e curimba, Clementina, de formação católica, afirmava: “Eu gostava ( das festas, dos rituais), mas nunca acreditei (…) não desfaço, cada um segue a sua linha, suas coisas”. Foi diretora da escola de Samba Unidos do Riachuelo, onde o diretor de harmonia era ninguém menos que Aniceto, que viria a ser fundador do Império Serrano.

Nessa época Clementina ganhava o mundo do samba, enquanto sua mãe era reconhecida como Dona Amélia Rezadeira, “tirava quebranto, vento virado, olho gordo e espinhela caída”.

Viveu um romance de 37 anos com Albino Correia da Silva – o Pé Grande – quinze anos mais novo, um fã apaixonado por seu trabalho, a quem chamava de Pé, e afirmava: “Não é que o pé era grande mesmo, calçava 43”. Com o casamento foi viver no morro da Mangueira, onde saia na ala das baianas, e fora eleita Princesa da Velha Guarda, em 1956. Mas era enfática; “Saio na Mangueira por causa de meu marido, mas sou Portelense”.

Entrou para o rol dos grandes artistas nacionais sob os cuidados de Hermínio Bello de Carvalho. Aos 63 anos de idade, saía da área de serviço de sua patroa para os palcos para ganhar o reconhecimento de especialistas da música nacional. De 7 de dezembro de 1964, onde fez sua primeira apresentação profissional, a 24 de maio de 1987, Quelé fez 54 shows.

As palavras de Ary Vasconcelos resumi um pouco sua história: “Em nossos ouvidos mal acostumados pela seda e pelo veludo produzido pelos cantores da época, a voz de Clementina penetrou como uma navalha. A ferida ainda está aberta e sangra, mas isso é saudável: serve para nos lembrar que a África permanece viva entre nós”.

Considerada o “oposto da introspecção de João Gilberto e Nara Leão, modelos de bossa nova, surgida seis anos antes (…) A música popular sofria confrontos estéticos, de um lado a bossa nova (…) e do outro, o ainda tímido aparecimento de compositores dos morros e subúrbios cariocas”.

Clementina encantou o Professor Mozart de Araújo, que considerava o registro de sua obra um valor patrimonial inestimável.Segundo Ney Lopes, “as mais fortes evidências da bantuidade, pelo menos musical de Clementina está no seu repertório profano. Nele vamos encontrar imemoriais jongos, corimbas, corimas ou curimás, onde pinçamos vocábulos e expressões de origem banta, como “cangoma”, “cacarecô”, “quizumba”, “saravá”. E vamos encontrar, evidentemente muito samba”, e continua: “Clementina tinha bastante afinidade com as manifestações como pastorinhas e folias de reis, características do ciclo natalino. 

E saiba-se que desde os primeiros tempos da escravidão e até muito tempo depois dela, o dia 6 de janeiro, que o calendário católico consagra à Epifania ou Adoração dos reis Magos, foi o grande dia do carnaval dos negros escravos e libertos.”

E este mesmo Ney Lopes a define: “Uma negra nascida, ainda sob os ecos dos tambores da abolição, nas proximidades do Vale do Paraíba, como os fundadores das primeiras comunidades negras cariocas, em locais como Mangueira, Salgueiro, Serrinha. Uma senhora cantora que teve seu trabalho de maior expressão construído através da recriação de jongos, corimas, lundus e sambas da tradição rural, afirmando-se assim, como uma espécie de “elo perdido” entre a ancestralidade musical banta e o samba urbano, espinha dorsal e corrente principal da música popular brasileira”.

O seu padrinho profissional, Hermínio Bello de Carvalho, diz: “Clementina de Jesus faz parte dessa galeria de artistas que constroem novas latitudes para a compreensão de um país tão prolixo em culturas como o nosso. Diria, ousando na comparação, que ela conceitualmente produziu, em nossas aldeias, impacto semelhante ao que Picasso provocou na pintura ao rascunhar, em 1907, o Les Demoiselles d’Avignon, estimulando a ruptura com arcaicos conceitos de beleza então vigentes.”

Ainda com todo esse reconhecimento, Quelé morreu no dia 19 de julho de 1987, vítima de enfarto, e foi velada no teatro João Caetano ao som do partido Clementina cadê Você? Até aí, viu-se enrolada em promessas não cumpridas de gravações e passou a percorrer bares, noites e madrugadas fazendo shows a preços baixíssimos.Apresentou-se em públio pela última vez em 24 de maio de 1987, num restaurante no Méier.

A homenagem de maior impacto- inclusive pelas críticas indignadas dos mais puristas – deu-se no teatro municipal, por iniciativa do então secretário de cultura do Estado do rio de Janeiro, Darcy Ribeiro, em agosto de 1983. “Clementina é a voz de milhões de Negros desfeitos no fazimento do Brasil”dizia.

OBRA
Toda a discografia de Clementina de Jesus, em certa medida, é conseqüência do espetáculo Rosa de Ouro – produzido por Hermínio Bello de Carvalho. Essa discografia compõe-se, basicamente, de 11 LPs, começando com o Rosa de Ouro inaugural, de 1965, pela Odeon, e culminando com o Canto dos Escravos, em 1982, pelo selo dos Estúdios Eldorado. Hermínio Bello de Carvalho produziu nove desses discos, oito pela Odeon e um para o Museu da Imagem e do Som, em 1970 – Clementina cadê Você?, expressão que desde o partido alto de Elton, torno-se um prefixo, uma marca da cantora, Já o disco Clementina e convidados, de 1979, foi produção de Fernando Faro.

2013 - DORIVAL CAYMMI - Acontece que ele é baiano / He happens to be from Bahia


1979 - Dorival Caymmi na Lagoa do Abaeté, em Salvador.


“Ninguém entre nós, exceto ele, desenvolveu uma obra autor-intérprete totalmente integrada, antes disso se tornar um modelo que, a partir dos anos 1960, vem de Bob Dylan a Lenine. Para dizer o mínimo.” 
...

“... suas obras têm muitas camadas e se tornam mais atraentes quando a gente fica mais complexo”. 

... 

“É uma voz de mulato bruto e doce, como seu personagem João Valentão. (...) O conjunto do instrumento com a voz prefigura uma modernidade da música popular no Brasil que, quando se deu, o reconheceu como mestre maior. De João Gilberto a Max Cavalera, quem canta no Brasil tem Caymmi por precursor e eterno patrono.”  [Caetano Veloso]






Esse ano será lançado o livro “Dorival Caymmi – Acontece que ele é baiano”, um compilado de informações e homenagens de diversas personalidades.

Em destaque Caetano Veloso que declarou: “Ele me ensinou tudo o que é preciso saber para apreciar canções. Ele me ensinou tudo o que preciso saber para apreciar a vida”.

O livro é apenas uma das formas de tributo que acontecerão no Brasil em 2014, a edição deluxe do livro é do tamanho de um disco de vinil. Nele estão incluso imagens e fotos de diversos momentos da vida do compositor, além de cartas, pinturas e desenhos de sua autoria. Possibilitando ao leitor uma atmosfera maior de familiaridade sobre vida e obra.



Com direito a show de Danilo Caymmi, a Repsol Sinopec Brasil lançou no dia 4 de dezembro, no Iate Clube do Rio de Janeiro, o livro Dorival Caymmi – Acontece que ele é baiano. Repleto de fotos, pinturas, cartas e manuscritos de Dorival, o livro, produzido pela Editora 19 design para a Repsol Sinopec, é uma homenagem a este grande artista que completaria 100 anos em 2014.
  















VELOSO, Caetano; RIBEIRO, João Ubaldo; DINIZ, Júlio; CAYMMI, Stella. 
Dorival Caymmi - Acontece que ele é baiano. 216 páginas, ilustrado. Edição bilíngue português, inglês. 19 Design e Editora, Rio de Janeiro, 2013.
  

O QUE NÃO SEI DIZER - Caetano Veloso
MEMÓRIA DE CAYMMI - João Ubaldo Ribeiro
SOB O SIGNO DA SIMPLICIDADE E DA DELICADEZA - Júlio Diniz
UM MOÇO CHAMADO CAYMMI - Stella Caymmi


... Cada texto lança um olhar sobre Caymmi — e sua dimensão de eternidade. Diniz avalia sua obra em termos poéticos e defende sua modernidade. Caetano traça um retrato analítico-afetivo de Dorival. João Ubaldo por sua vez conta uma série de histórias testemunhadas por ele em sua intimidade de amigo, montando um mosaico do homenageado — leve e revelador, como na cena de Caymmi assombrado com o latido surdo de um cachorro que tinha as cordas vocais operadas. ... [O Globo, Leonardo Lichote, 8/12/2013]