martes, 26 de julio de 2011

1979 - DONA CULPA FICOU SOLTEIRA


 


Grabada en 1980 por Cauby Peixoto a dúo con Jorge Ben (Benjor), Dona Culpa fue presentada por Caetano en el Festival 79 de Música Popular - É Hora de Cantar, organizado por la Red Tupi de Televisión en el Palacio de las Convenciones de Anhembi (San Pablo) entre el 15 de noviembre y el 8 de diciembre de 1979.

El tema ganador resultó Quem me levará sou eu de Dominguinhos y Manduka con arreglos de Wagner Tiso, interpretado por Fagner.

Sin siquiera considerar al autor ni al intérprete y tampoco al texto o al ritmo swingado típicos del estilo de Jorge Ben (hoy Jorge Benjor), el público había desaprobado de plano la clasificación, pero a pesar de las vaias Caetano pudo interpretarla junto a su grupo en la época, A Outra Banda da Terra: Vinícius Cantuária (batería), Arnaldo Brandão (bajo), Tomas Improta (piano) y Bolão (percusión) y coro formado por Solange Rosa, Carola y Viviane Godoi.

Sobre la composición del Jurado del Festival, no solo no había mujeres -como ya se había apuntado-, Caetano agregó: “El Jurado está formado solamente por hombres blancos”.



DONA CULPA FICOU SOLTEIRA
Letra y música: Jorge Ben
Arreglos: A Outra Banda da Terra [Vinícius/Arnaldo/Tomás/Bolão]

Interpretada por Caetano Veloso, A Outra Banda da Terra, coro y orquesta.



Dona culpa ficou
Dona culpa ficou
Dona culpa ficou
Dona culpa ficou

Dona culpa ficou solteira
Pois ninguém quis casar com ela
Pois aqui só se voa
Com duas asas
Com a asa da fé
Com a asa da ciência
Quem voar sem nenhuma das duas
Vai cair, se arrebentar
Sem ter tempo pra pedir clemência
Ou história pra contar
Olha o castigo
Castigo anda a cavalo
Como voar é para os anjos e para os pássaros
Pássaros de penas
Pássaros de aço
Liberdade, igualdade e fraternidade
E o seguinte
Se tem liberdade, tem que ter igualdade
Amor e fraternidade
A estrela do oriente
A estrela nos guiou ô ô
Até o humilde lugar onde
Nasceu o nosso senhor
Mas ainda existem certos homens incertos
Que quando erram se dizem inocentes, dizendo
A minha geração
Não encontrou a esperada saída
Talvez a de vocês, com sorte
Encontre ainda
Dona culpa ficou
Dona culpa ficou
Dona culpa ficou
Dona culpa ficou

Quem tem culpa tem medo
Quem tem culpa tem medo



sábado, 23 de julio de 2011

1986 - ÂNGULOS

 


“Ângulos” es una experiencia propuesta por Arrigo Barnabé. En la música nosotros mezclamos dodecafonismo con música tonal. La música sigue las reglas
dodecafónicas y de repente cambia por la música tonal, va pasando de un lado para otro, en una secuencia que es original. Esta forma de trabajar fue una propuesta de Arrigo Barnabé y Caetano Veloso escribió la letra siguiendo esa propuesta medio impresionista. (Eduardo Gudin, entrevista de Julio de 2001.)



1986 - ELIETE NEGREIROS
6261 5679 /
Álbum "Eliete Negreiros"
Copacabana COLP 12.889, A-1./ M K 7 22.889. A-1.


2001 – EDUARDO GUDIN / FÁTIMA GUEDES
Álbum “Luzes da Mesma Luz”
Dabliú Discos CD DB-0102, Track 7.


ÂNGULOS
Letra: Caetano Veloso
Música: Arrigo Barnabé/Eduardo Gudin
© 1986 Ed. Melograf/Ed. Mus. Saturno

Curvas dos sapatos
Espelhando esquinas
Números exatos
Cortam-se na brisa
Sóis luzem nos dentes
Você me diz
Vamos parar
Os ângulos retos
Domam seus cabelos
Automóveis pretos
Refletem sapatos
Lábios quase opacos
Você me diz
Vamos parar
Na sua voz
Passam tantas notas
Que não param pra notar
Dedos na mão
Que dorme à sombra do momento
Contam tempos soltos pelo bar
E o amor
Nuvem nos topos
Não encontra lagos
A curva dos copos
Reflete automóveis
Olhos quase secos
Você me diz
Vamos parar
Lágrima no pelo
Espelhando a nuvem
Álcool sobre o gelo
Nenhuma palavra
Unhas sobre a louça
Você me diz
Vamos parar

viernes, 22 de julio de 2011

1979 - MEL



1979 - MARIA BETHÂNIA
6097 7868 / 3:49
Álbum "Mel"
Philips LP 6349 433, A-1.


1984 - WILLIE COLON
[“Miel” (Versión: Willie Colon)]
/ 5:32
Álbum “Criollo”
RCA LP IL7 7334 [EE. UU.], A-4.
BMG CD 93611 [EE. UU., 2002], Track 4.



1998 - WILLIE COLON
[“Miel” (Versión: Willie Colon)]
Álbum “Demasiado Corazón”
Azteca Music CD 2-1719 (24) [México], Track 10.
Líderes Entertainment CD 950036 [EE. UU., 2000], Track 10.


1998 - CAETANO VELOSO
6852 3729 / 4:55
[“Miel” (Letra em espanhol: Willie Colon)]
6853 4557
Álbum "Caetano - Prenda Minha"
Gravação ao vivo no Metropolitan (RJ) de 10 a 13 de setembro de 1998
PolyGram / Mercury CD 538.332-2, Track 13.


1999 - CAETANO VELOSO
[“Miel” (Letra em espanhol: Willie Colon)]
Álbum "Caetano - Prenda Minha"
Gravação ao vivo no Metropolitan (RJ) de 10 a 13 de setembro de 1998.
PolyGram / Philips VHS nº 059.821-3.
Universal Music DVD 00044006185620, Bônus track, Extras.


1999 - MARIA BETHÂNIA
69357602 /
Álbum "Diamante Verdadeiro - A Força que Nunca Seca ao vivo"
Gravado no Canecão (RJ), nos dias 12, 13 e 14 de agosto de 1999.
BMG / Ariola 2 CD’s 7432171155-2, CD 2, Track 3.1.




 
MEL
Letra: Waly Salomão
Música: Caetano Veloso
© 1979 Uns Produções Artísticas Ltda


Oh, abelha rainha
Faz de mim
Um instrumento de teu prazer
Sim, e de tua glória
Pois se é noite de completa escuridão
Provo do favo de teu mel
Cavo a direta claridade do céu
E abarco o sol com a mão
É meio-dia, é meia-noite é toda hora
Lambe olhos, torce cabelos
Feiticeira, vamo-nos embora
É meio-dia, é meia-noite
Faz zum zum na testa
Na janela, na fresta da telha
Pela escada, pela sala, pela estrada
Toda afora
Anima de vida
O seio da floresta
Amor empresta
A praia deserta
Zumbi na orelha
Concha do mar
Oh, abelha, boca de mel, carmim
Carnuda, vermelha
Oh, abelha rainha
Faz de mim
Um instrumento de teu prazer
Sim, e de tua glória
E de tua glória
E de tua glória,e da tua glória
De tua glória, da tua glória
Da tua glória, e de tua glória


MIEL
Letra: Waly Salomão
Música: Caetano Veloso
Versión en español: Willie Colon

Oh, mi abeja reina
Haz de mí un instrumento de tu placer
Si, y de tu gloria
Pues si de noche
En completa oscuridad
Pruebo el sabor de tu miel
Salgo directo a la claridad del cielo
Y agarro el sol con una mano
De medio día, de media noche
A toda hora, miles abejitas hechiceras
Mejor vámonos ahora
De medio día, de media noche
Un zun-zun en la cabeza
En la ventana, en las cortinas de tela
Por la escalera, por la puerta
Por la calle, todo afuera
Ánimo de vida, oh, seno de la floresta
Amor, en presta
La playa desierta, zumba en la oreja
Concha de mar
Oh, abeja boca de miel
Carnuda, roja, colorada
Oh, mi abeja reina
Haz de mí un instrumento de tu placer
Si, y de tu gloria

1978 - A VOZ DE UMA PESSOA VITORIOSA





1978 - MARIA BETHÂNIA 
6060 4166 / 2:44
Álbum "Álibi"
Philips LP 6349 405, A-4.

1997 - MARIA BETHÂNIA 
67.136.311 /
Álbum "Imitação da Vida" 
Gravado ao vivo no Palace (SP), dezembro 1996. 
EMI 2 CD's 857307-2/ 857308-2, CD 2, Track 6.2.


2002 – MARIA BETHÂNIA
WEA BRPUI 02 00092 / 1:46
Álbum “Maricotinha ao vivo”
Gravada no Estúdio Sarapuí
Biscoito Fino 2 CD’s bf 521, CD 2, Track 1. | DVD bf 701 (2003), Extras (clipe)


2010 – TERESA CRISTINA 
Álbum “Melhor Assim” 
Gravado ao vivo em 27 de outubro de 2009, no Espaço Tom Jobim (RJ) 
Emi Music CD 4587552, Track 1. | DVD 4587569, Track 1.



 
2014 – ALCIONE
Participación Especial: TÁRCIO CARDO 
Álbum “Eterna alegria ao vivo” 
Grabado el 21 de noviembre de 2013 en la casa Barra Music, Rio de Janeiro (RJ) 
Biscoito Fino CD BF 2972, Track 11.2 | DVD DVBF 2983, Track 10.2.



A VOZ DE UMA PESSOA VITORIOSA
Música: Caetano Veloso
Letra: Waly Salomão
© 1978 Gapa / Saturno

Sua cuca batuca
Eterno zig-zag
Entre a escuridão e a claridade
Coração arrebenta
Entretanto o canto agüenta
Brilha no tempo a voz vitoriosa
Sol de alto monte, estrela luminosa
Sobre a cidade maravilhosa

E eu gosto dela ser assim vitoriosa
A voz de uma pessoa assim vitoriosa
Que não pode fazer mal
Não pode fazer mal nenhum
Nem a mim, nem a ninguém, nem a nada
E quando ela aparece
Cantando gloriosa
Quem ouve nunca mais dela se esquece
Barcos sobre os mares
Voz que transparece
Uma vitoriosa forma de ser e de ver



2000 - COBRA CORAL


Cobra Coral, música de Caetano sobre poema de Waly Salomão.

“No caso do recente Cobra Coral, escolhido, por entre os poemas do livro Tarifa de Embarque, por Caetano Veloso, é diferente: ele comprou o livro na livraria, pegou o poema, gostou, musicou.” (Waly Salomão, en entrevista con Adolfo Montejo Navas, 2001)





2000 - CAETANO VELOSO
Participación Especial: LULU SANTOS y ZÉLIA DUNCAN
70504779  BRMCA0000576 / 4'14"
Álbum "Noites do Norte"
Universal Music CD 73145483622, Track 8.




2001 - CAETANO VELOSO con LULU SANTOS
BRMCA0100591 / 3'17”
Álbum “Noites do Norte ao Vivo”
Gravado ao vivo, nos dias 15 de julho de 2001 no Direct TV Hall, São Paulo e 06 e 07 de agosto de 2001 na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, Salvador.
Universal Music 2 CD’s 04400165272, CD 1, Track 11.
DVD (2002) 548362-9, Track 8.



2012 - TOMÁS JENSEN
Álbum “Face A | Face B - Hommage à Caetano Veloso”
Disques L-Abe LABECD 1986, Tracks 5 y 8. [Canadá]



2012 – QUARTETO COBRA CORAL
[Mariana Nunes / Flávio Henrique / Kadu Vianna / Pedro Morais]
Álbum “Cobra Coral”
Independiente CD, Track 4.




SALOMÃO, Waly. Tarifa de embarque. Rio de Janeiro: Ed. Rocco, 2000.


COBRA CORAL
Música: Caetano Veloso
sobre poema de Waly Salomão
© 2000 Kabuki Produções Culturais Ltda. / Uns Produções (Natasha)


Pára de ondular, agora, cobra coral:

a fim de que eu copie as cores com que te adornas,

a fim de que eu faça um colar para dar à minha amada,

a fim de que tua beleza

                   teu langor

                   tua elegância

                                      reinen sobre as cobras não corais

1984 - DA GEMA


Del espectáculo A hora da estrela, inspirado en el cuento de Clarice Lispector; estrenado por Maria Bethânia en 1984 y dirigido por Naum Alves de Souza.




Música: Caetano Veloso
Letra: Waly Salomão
© 1984 Gapa / Saturno

... Da gema -ovo estrelado na tela de cinema
Ela é carioca da gema, ovo estrelado na tela de cinema

Veja que a lua nunca lhe traz nostalgia
Só sai pra ver sua alegria, como diria Noel
Quando ela surge redonda atrás da colina
Como uma imensa aspirina, boiando nua no céu

Loura, morena, mulata que se oxigena
Galinha de pretas penas, finge ser rosa e amarela
Será que ela se tinge inteira e até onde?
Será que até oxigena os íntimos pêlos que esconde?

Ela é carioca da gema, ovo estrelado na tela de cinema
Ela é carioca da gema, ovo estrelado na tela de cinema

Bacalhoada, batata, vinho nas veias
Bonita como as sereias, sorrindo em Copacabana
Desinibida, brutalidade da vida
Ela é total, colorida, forte, bonita e bacana

Óvulos férteis, cadeiras de parideira
Parece até estrangeira aos brasileiros demais
Refeição farta, contra-filé de primeira
Matriz, Império, Mangueira
Produto, anúncio e cartaz

Ela é carioca da gema, ovo estrelado na tela de cinema
Ela é carioca da gema, ovo estrelado na tela de cinema




1984 - MARIA BETHÂNIA
6253 2456 / 2:05
Álbum "A beira e o mar"
Philips LP 824.187-1, B-4.


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A HORA DA ESTRELA: A REPRESENTAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO DOS PERSONAGENS DE CLARICE LISPECTOR POR CAETANO VELOSO E WALY SALOMÃO

(2006, Carlos André Rodrigues de Carvalho)


DA GEMA: GLÓRIA, A MULATA QUE SE OXIGENA

Glória, ao ser apresentada a Olímpico se denomina “carioca da gema” (LISPECTOR, 1977: 59), uma expressão que esta não sabe o que significa por se tratar de uma gíria do tempo de juventude do pai dela.

...Da gema
Ovo estrelado na tela de cinema
Ela é carioca da gema
Ovo estrelado na tela de cinema
Veja que a lua nunca lhe traz nostalgia
Só sai pra ver sua alegria
Como diria Noel
Quando ela surge redonda atrás da colina
Como uma imensa aspirina
Boiando nua no céu

Para apresentar Glória, Macabéa, aqui a narradora, a compara a um ovo estrelado na tela de cinema, uma visão estranha, mas que faz sentido, considerando-se o hábito da personagem de tingir os pêlos de louro. A tela de cinema seria ambiente em que se passa a história. Glória não tem nada da ingenuidade de Macabéa e para revelar isso esta recorre a um verso do compositor carioca Noel Rosa – que, na música, é a melhor tradução do Rio de Janeiro, a terra de Glória.

Loira, morena
Mulata que se oxigena
Galinha de pretas penas
Finge ser rosa e amarela
Será que ela se tinge
Inteira e até onde?
Será que até oxigena os íntimos pêlos que esconde?

Glória é morena, mas tem os pelos quimicamente dourados e isso causa uma confusão para Macabéa que, a princípio, não sabe defini-la com precisão. Como boa carioca que é, ela deve fingir ser fã da Escola de Samba Mangueira. Os três últimos versos dessa estrofe aparecem no livro de Clarice da seguinte forma: “Oxigenava os pêlos das pernas cabeludas e das axilas que ela não raspava. Olímpico: será que ela é loura embaixo também?” (LISPECTOR, 1977:63). Note-se que, no livro, a indagação é feita por Olímpico e não por Macabéa.

Bacalhoada, batata,
Vinho nas veias
Bonita como as sereias
Sorrindo em Copacabana
Desinibida, brutalidade da vida
Ela é total colorida
Forte, bonita e bacana
Óvulos férteis, cadeiras de parideira
Parece até estrangeira aos brasileiros demais

A atração que Olímpico sente por Glória faz com que Macabéa a compare com iguarias, bebida e a um dos seres míticos que mais despertam a libido dos homens: a sereia. Ao contrário de Macabéa, ela é desinibida, um dos traços que chama a atenção de Olímpico. A brutalidade de Glória está na indiferença dela com a colega Macabéa. No livro, ela é descrita por Rodrigo S.M. assim: “Era uma safadinha esperta mas tinha força de coração. Penaliza-se com Macabéa mas ela que se arranjasse, quem mandava ser tola? E Glória pensava: não tenho nada a ver com ela” (LISPECTOR, 1977:64).

As referências aqui as cadeiras de parideira da personagem também são descritas no livro pelo narrador/personagem Rodrigo S.M.: “Pelos quadris adivinhava-se que seria boa parideira. Enquanto Macabéa lhe pareceu ter em si mesma o seu próprio fim” (LISPECTOR, 1977:60).

Refeição farta, contra-filé de primeira
Matriz, Império e Mangueira,
Produto, anúncio e cartaz
Ela é carioca da gema
Ovo estrelado na tela de cinema

Aqui, Macabéa reforça as comparações de Glória com as comidas preferidas de Olímpico. Se nos versos anteriores ela fingia ser mangueirense, aqui é revelada como admiradora de outras duas escolas de samba. Para definir a exuberância de Glória, Macabéa recorre ao mundo da propaganda – mostrando-se adaptada à realidade da cidade grande, que antes ela repudiava (“letras demais tudo mentindo”, em O Nome da Cidade) – diz que ela não é apenas uma campanha publicitária completa, mas também o produto dessa mesma campanha.